O escotismo e o paradoxo de “deus”

Por Christian Gurtner via Crônicas de Gilwell 

Como pessoas e instituições ameaçam o movimento escoteiro com seus dogmas.

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Em 1907, através de um acampamento experimental guiado pelo herói de guerra Lord Baden-Powell, nascia aquele que viria a se tornar o maior movimento de educação não-formal do planeta: o Movimento Escoteiro.

Muita coisa mudou desde aquela época, porém, na essência, a organização do movimento se empenha em não deixar os princípios e as tradições originais se perderem.

Para aqueles que estão de fora, entendam que, apesar de possuir um órgão mundial, cada país possui uma ou mais associações que regulam o movimento em seu território e cada região e grupo escoteiro também possui certa independência em sua gestão. Por isso vemos algumas diferenças em como o escotismo é praticado em diversas partes do mundo.

Tradição, porém, evolução

O escotismo evolui, pois é preciso acompanhar as mudanças que ocorrem em nossa sociedade, tecnologicamente, socialmente, economicamente… para, assim, se adaptar e sobreviver.

No entanto, devido à relativa autonomia das associações e grupos escoteiros, enquanto vemos a evolução em alguns lugares, podemos acompanhar até um retrocesso em outros.

Um dos principais alvos de críticas está na promessa escoteira.

Prometo, pela minha honra, fazer o melhor possível para: cumprir os meus deveres para com Deus e minha pátria, ajudar o próximo em toda e qualquer ocasião e obedecer a lei escoteira.

Ou o original criado por Baden-Powell:

On my honour I promise that: I will do my duty to God and the King. I will do my best to help others, whatever it costs me. I know the scout law, and will obey it.

Isso significa que o jovem deve crer em um deus para fazer parte do movimento escoteiro? E qual deus? E os budistas? E os hindus? E os umbandistas?

O movimento escoteiro prega a diversidade e seus princípios se chocam com o ato de alienar determinado grupo de pessoas.

Assim, com o levantamento desses questionamentos, o movimento precisou se adaptar, levando muitos países a deixarem o nome “Deus” na promessa com um significado mais amplo.

Duty to God: Adherence to spiritual principles, loyalty to the religion that expresses them and acceptance of the duties arising there from — WAGGGS/WOSM RELATIONSHIPS

Essa interessante evolução definiu os “deveres para com Deus” como uma adesão aos princípios espirituais do indivíduo.

Porém, muitas pessoas ainda acreditam que esses “princípios espirituais” somente podem ser encontrados em religiões ou na crença em um “quem”. E querendo ou não, cada país é influenciado por sua religião dominante. No Brasil, boa parte dos grupos escoteiros realizam orações em suas reuniões de forma puramente cristã, enquanto outros, aderindo a essa interpretação mais abrangente e tolerante, proferem as orações como forma de desejos e gratidão a algo/alguém não especificado, deixando a cargo de cada indivíduo direcionar silenciosamente essa oração/agradecimento ao deus de seu entendimento e sua própria compreensão ou de sua filosofia.

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A Vida após a morte pelos olhos de um Ateu!!!

Por TheThinkingAtheist Tradução do Vídeo Luc Anderssen

The Thinking Atheist

Você conseguiria ter uma vida com sentido sem a vida após a morte? Vídeo interessante com colocações e pensamentos dos ateus mais populares da internet sobre o sentido vida, a morte e vida após a morte. Entre eles, Matt Dillahunty, AronRa, Evid3nc3, DarkMatter2525, Thunderf00t, ZOMGitsCriss e outros. Mais abaixo, a transcrição da legenda em português do vídeo.

O berço balança pairando sobre um abismo, e o senso comum nos diz que nossa existência não passa de uma breve fenda de luz entre duas eternidades de trevas.

Embora as duas sejam gêmeas idênticas, o homem, em geral, encara com mais calma o abismo pré-natal do que aquele a que se destina (a cerca de 4500 pulsações cardíacas por hora) -Vladimir Nabokov-

Se você passasse um dia agradável na praia e e então retornasse na outra semana sabendo teria alguns grãos de areia a menos esta praia pareceria diferente?

Da mesma forma o universo continua seu caminho como se a humanidade não estivesse aqui para testemunhá-lo

O universo é absolutamente gigantesco e nós somos virtualmente insignificantes dentro dele.

Eu não tenho visto evidência que o resto do universo se importe se nós existimos ou até mesmo se ele capaz de se importar

SIGNIFICADO

SIGNIFICADO

Eu não preciso da validação do resto do universo para descobrir que a minha própria vida é importante.

Porque você está e porque eu estive disposto a sacrificar a minha humanidade? Sacrificar uma grande parte da experiência e interação humana, uma grande parte do conhecimento humano no altar de um sonho?

Pedimos para alguns dos ateus mais populares da internet para darem suas perspectivas pessoais sobre vida, a morte e…

A Vida Após a Morte

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Estaria a UEB finalmente aceitando ATEUS?

Por O Escoteiro Ateu

Estaria a União dos Escoteiros do Brasil – UEB finalmente aceitando o ingresso de Ateus, Agnósticos e Humanistas em suas fileiras?

Em uma nota recente sobre uma declaração da IURD a UEB faz duas afirmações que nos chamam a atenção. A primeira é de que o “Escotismo não possui base cristã” e a segunda é de que “encoraja a viver sua opção religiosa de forma plena, independente de qual seja sua crença”. O que nós do escoteiro ateu podemos dizer é que estas afirmações seriam de fato ideais, se não fossem inverídicas.

Sabemos que existe por todo Brasil um proselitismo cristão exacerbado dentro de vários GEs desrespeitando religiões minoritárias com Umbanda, Candomblé, Judaísmo, Budismo, etc,. Sabemos também que o ateísmo e o humanismo são vistos como inapropriados para o escotismo. Como também vemos que muitos GEs fazem vista grossa, pois, mesmo que não concordem com a exclusão de ateus os mesmos não conseguem se declarar apoiadores por medo de represálias.

Quando a UEB declara que o “Escotismo não possui base cristã” afirma declaradamente que pertence a um movimento universalizado e laico o que na prática não se mostra verdadeiro a partir do momento em que excluem ateus, humanistas e livre pensadores.

Quanto à afirmação de que “encoraja a viver sua opção religiosa de forma plena, independente de qual seja sua crença” temos aqui um contrassenso pois o Budismo não se considera uma religião, assim como não se considera uma filosofia “teísta” ou seja não existe um deus no budismo.  Quando afirmam independente de qual seja sua crença acabam incluindo aí os ateus e humanistas pois nós ateus “cremos” que não existem deuses.  Então pergunto, e agora José?

É fato que não existe material que trabalhe satisfatoriamente a espiritualidade no movimento escoteiro brasileiro, aliás, não existe material algum. Sejamos sinceros pois não se trabalha espiritualidade com os jovens, trabalha-se religiosidade o que sabemos ser diferentes um do outro. É possível trabalhar uma espiritualidade universalizada em um movimento que aceita ateus. Sabemos disso pelas várias associações mundo aforam que não “discriminam” ateus e humanistas. Sim meus caros irmãos de lenço, a UEB discrimina ateus e humanistas quando não permite o seu acesso ao escotismo.

Até quando o movimento escoteiro refletirá o descaso e a discriminação que a sociedade brasileira tem com ateus, humanistas e livre pensadores? Queremos um movimento que seja melhor do que a sociedade atual e não apenas um movimento que seja um reflexo dos dogmas, preconceitos e conceitos falidos.  Para quem afirma sempre “incluir” é de fato vergonhoso excluir pessoas que têm muito a adicionar no aspecto positivo do movimento.

O escotismo não precisa e não deve abrir mão da espiritualidade para incluir e aceitar ateus em suas fileiras. O escotismo necessita sim de uma reflexão madura e ponderada.

Sempre Alerta Para Servir o Melhor Possível!!!!

Ateus, outros “não-teístas” e os Escoteiros (Parte I)

Tradução Livre realizada pelo Blog "O Escoteiro Ateu" da brochura Athiests, Other Non-Theists and the Boy Scouts of America da Organização Scouting for All

Scouting_For_AllPara todos os efeitos,  os Escoteiros são uma organização secular. Não é adequado que uma organização secular exclua membros, com base em suas crenças religiosas.

Argumento: Os “não-teístas” (ateus, agnósticos, etc.) odeiam religião e esta é uma tentativa de eliminar Deus do escotismo.

Resposta: Tirar Deus do escotismo não é o objetivo. Ao invés disso queremos convencê-los a encontrar uma maneira de incluir aqueles cujas convicções não os permitem fazer um juramento onde Deus é o objetivo. Não-teístas querem participar do escotismo da mesma maneira que as outras pessoas. Nosso único objetivo é ser capaz de fazer isso sem ter que mentir sobre quem somos.

Em segundo lugar, se aos não-teístas estão muita vezes zangados com a religião, não é porque eles odeiam religiões, mas sim porque eles se opõem aos abusos da religião. De fato, muitos teístas moderados e liberais rejeitam muitas das mesmas coisas que os não-teístas. Eles odeiam quando a religião é usada para promover a intolerância e fanatismo, quando ela é usada como uma ferramenta para opressão política ou a repressão de novas ideias, quando é usada para promover a “autojustiça” e o conceito de moralidade absoluta (a deles é claro)!

Mas acima de tudo, aos não-teístas ficam com raiva quando lhes dizem que não podem ser bons cidadãos, que são moralmente deficientes e são uma má influência para a sociedade.

A maioria dos não-teístas tem uma filosofia de “deixar assim mesmo“. Muitos são membros de uma Igreja Unitária¹. Outros acompanham os familiares religiosos na igreja. Para muitos não-teístas, a igreja é um lugar para encontrar conforto, meditação e espiritualidade.

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Boas Festas e Feliz 2015!!!!

A equipe do “Escoteiro Ateu” deseja que o próximo ano nos ajude a aceitar mais as diferenças, a amar mais o próximo e nos ensine a não julgar as pessoas pela fé ou pelo ceticismo que professam e sim a avaliar as pessoas pelas atitudes que tomam no dia-a-dia.

Fazer o bem não depende de credo, fé ou religião, mesmo porquê a ética humana e a bondade que levamos conosco pode suplantar qualquer ato de egoísmo que existe nesse mundo.

É preciso enxergar além dos julgamentos, além do preconceito e perceber que o ateísmo não é atestado de caráter assim como uma religião ou crença não torna alguém bom ou mal. Ateus e teístas não são bons ou maus por definição e sim por ações.

Nós Ateus somos pessoas comuns e digo por mim e pelos que conheço que queremos apenas um pouco de paz. Queremos poder ser nós mesmos sem ter medo de que os nossos semelhantes nos julguem apenas porque não cremos em deuses e outras crenças sobrenaturais.

Ateísmo não é rótulo, ou atestado de idoneidade, ateísmo é apenas o fato de que não cremos no misticismo, em deuses ou no sobrenatural. O nosso caráter, como o de todo ser humano é formado durante a nossa jornada e pela experiência de vida que temos. Fazemos o bem não por medo de castigo divino e sim porque é necessário para coexistirmos em harmonia.

A nossa fé reside na Humanidade e no seu valor inerente à ética que praticamos. Nossa fé existe ao praticar o bem aos nossos semelhantes, nossa religião é a pura bondade, sem dogmas, sem medos e sem castigos divinos.

Boas Festas e Feliz 2015!!!!

O Propósito da bondade e da gentileza é ver além de nós mesmos, além das fronteiras do nosso país, além da nossa cultura, da nossa raça, da nossa religião e perceber que nós somos cidadãos do mundo.

Projeto “Life Vest Inside”

 

 

Um Ateu em Gilwell

“Nos meus sonhos volto sempre a Gilwell, onde alegre e feliz eu acampei.”

Estou há seis anos no Escotismo.

E neste tempo passei do adulto que se emocionou extremamente quando da sua Promessa para um feroz opositor deste estado de coisas em que se encontra o Movimento Escoteiro Brasileiro.

Mas é claro que entre a ovelha e o lobo, tive vários estágios. A metamorfose, longe de instantânea, demorou longo tempo e fez com que eu enxergasse que, ao final das contas, estava participando de mais uma instituição composta por pessoas e, sendo assim, interesses de todos os tipos ditavam o ritmo.

O ser humano é político por natureza e a União dos Escoteiros do Brasil não estaria livre de um viés político.

Em minha modesta opinião, deixamos de ter “política” e passamos a ter “politicagem” dentro de nossas fileiras, o que leva pessoas absolutamente ineptas a ocupar altos cargos, ditar normas, favorecer amigos, perseguir inimigos e dispor de alguns milhões de reais anuais para gastar com ações judiciais inócuas e outros fins que não cabe dissertar aqui.

Mas estou divagando.

Não estou aqui para falar sobre esta falida política escoteira.

Se bem que ateísmo tem estado na ordem do dia da associação escoteira brasileira e, talvez, o que vem a seguir tenha uma natureza política.

Pode ser que pareça pretensioso, mas acredito que sou o único escotista Insígnia de Madeira publica e declaradamente ateu. E garanto que foi difícil ter estes “tacos” no pescoço, muito mais pela tal “política escoteira” do que pelo fato de eu ser ateu.

Permitam-me falar um pouco sobre isto.

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Ateísmo espiritual – Espiritualidade ateísta

O título dessa postagem seria um paradoxo?

Não para André Comte-Sponville, um dos mais respeitados filósofos franceses da atualidade. Seus livros já foram traduzidos para mais de vinte idiomas e embora declarando-se ateu, vai contra a corrente de escritores populares que escrevem sobre a temática religiosa, mas que participam de uma verdadeira cruzada radical e militante(eu diria até, religiosa!) pelo ateísmo, como Michael Onfrey, Christopher Hitchens e Richard Dawkings.

Comte-Sponville opta pelo meio-termo e defende um “ateismo fiel”, que vem a ser uma espiritualidade forte porém contrária à ideia transcendente de Deus. É uma espiritualidade guiada apenas pelas virtudes e pela sabedoria da tradição filosófica cética e humanista. Para ele, o saber filosófico deveria superar a crença religiosa, inclusive sua dimensão espiritual, o que não significa aversão à religião nem opção pelo niilismo.

“laicidade não significa ódio às religiões”

Para ele, a “laicidade não significa ódio às religiões”, mas o niilismo “conduz à idolatria mercantil e à violência”. Seu livro mais recente que fez muito sucesso foi “Pequeno tratado das grandes virtudes”, marcado pelo estilo direto e acessível. Para quem o critica por ser um filósofo “sucesso de mídia”, midiático, Comte-Sponville responde: “sou um filósofo antigo, procuro pensar à maneira dos antigos, especialmente Epicuro e Espinosa, para resolver problemas atuais”.

Sobre religião, espiritualidade e sobre o significado do termo “ateu fiel”, ele nos diz:

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