Ateísmo mundial se expande e enfrenta maior discriminação

Por Paulo Lopes

O número de pessoas que deixam de acreditar na existência de divindades tem aumentado em vários países, em um fenômeno que ocorre paralelamente ao distanciamento cada vez maior de crentes de suas igrejas e da consolidação de valores laicos.

Organização traça o mapa da perseguição aos descrentes

Não está claro ainda se a expansão do ateísmo se deve a “desconversões” recentes ou se aos descrentes que tomaram a coragem de sair do armário. Ou se ambos os casos.

O fato é que o ateísmo se tornou mais visível em países de forte tradição religiosa, como os Estados Unidos, ou onde impera o terror formal ou informal da teocracia, como a Arábia Saudita.

O sociólogo norte-americano Phil Zuckerman disse em uma entrevista que hoje há mais ateus não só em números absolutos, ou seja, em decorrência do crescimento da população, mas também em taxas percentuais da humanidade.

Ele falou que a expansão da população de descrentes se deve, entre outros fatores, à melhoria de qualidade vida de países como o Canadá, Grã-Bretanha, Alemanha, Holanda, França, República Tcheca e Uruguai.

A tese defendida há anos por Zuckerman é que a população de países onde ocorre progresso econômico, como reflexos na melhoria da educação, torna-se menos dependente do discurso religioso.

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Ateus, outros “não-teístas” e os Escoteiros (Parte II)

Tradução Livre realizada pelo Blog "O Escoteiro Ateu" da brochura Athiests, Other Non-Theists and the Boy Scouts of America da Organização Scouting for All

Perguntas Frequentes sobre os não-teístas.

Embora os “Boy Scouts of America (BSA)” seja, para todos os efeitos, uma organização secular, seus líderes se recusam a permitir que não-teístas (ateus e agnósticos) sejam membros ou chefes escoteiros. Esta política se aplica para adultos e crianças. Embora o foco do Escotismo seja em caminhadas, acampamentos,  conquistar insígnias de mérito, ética e cidadania, eles também afirmam que é preciso acreditar em Deus para manter um alto padrão de moralidade e ética.

 Embora esta seja uma percepção comum, na verdade não existe nenhuma evidência para apoiá-la. Na verdade, algumas evidências levam à conclusão oposta.

 Abaixo alguns argumentos comuns que são usados para manter os não-teístas fora do escotismo, com respostas após cada argumento.

 Argumento: A crença em Deus é necessária no Escotismo porque está escrito em suas leis.

Resposta: Isso discrimina não-teístas da mesma maneira que se tivesse escrito nas leis que você tem que ser branco ou cristão para estar no Escotismo. O Escotismo deve estar disponível para todos os Cidadãos, independentemente de crenças religiosas. Este país foi fundado sobre o princípio da liberdade religiosa e ao restringir associação com base em crenças religiosas viola-se este princípio.

 O Budismo e o hinduísmo não professam uma crença em Deus em sua doutrina e eles estão autorizados a serem membros do Boy Scouts of America (BSA), mas o Escotismo exclui ateus e outros livre pensadores. A política da BSA é discriminatória e tendenciosa contra ateus e outros livre pensadores. Isso é demonstrado quando se escolhe um grupo particular para excluir de sua associação, enquanto outros membros possam também não adotar uma crença em Deus em seus ensinamentos, mas são aceitos como membros.

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Kuffar e Mu’Mioon

Por Ricardo Machado

Não é fácil ser um kafir no mundo de hoje, no que pese sermos um grupo que a cada dia cresce mais. Na verdade, assim como outras minorias, ousamos colocar nossas miseráveis cabeças para fora do armário e acabamos sendo baleados bem no meio da testa.

Nosso problema, diferente de outros grupos, é que somos pacíficos, não impomos nossas ideias, não exigimos que os demais seres humanos acreditem no mesmo que nós. Defendemos a liberdade de consciência e não queremos matar ninguém.

Nem todos os kuffar são iguais, claro.

Existem os extremistas, violentos, escarnecedores, que usam métodos que a ala mais liberal não concorda.

Na verdade acreditamos que nossos confrades fundamentalistas não são lá muito diferentes daqueles que se julgam nossos inimigos, mas mesmo assim acreditamos que eles têm o direito de ser como quiserem, mesmo porque, apesar de extremos, temos algo em comum: não matam ninguém por conta de suas convicções.

Não somos uma raça muito unida, é verdade.

Como em todos os grupos, existem kuffar que querem ser mais Kafir que os outroskuffar. Então alguns tentam ser o “Kafir mestre” ou algo parecido e muitos outros kuffar passam a segui-lo até perceber que, na verdade, a comunidade dos kuffar não precisa de um “Kafir iluminado” que diga à ela como devem ou não ser Kafir.

Pode parecer confuso à primeira vista já que você, certamente, nunca ouviu falar de nós, os kuffar, pelo menos não com este nome e mesmo assim nos odeia.

Soará como loucura, mas existem muitos kuffar famosos, inclusive você não estaria usando computador, internet, celular, se não fossem as geniais ideias de nossos confrades. Aliás, se alguns kuffar não existissem não teríamos ido à lua e muitas das descobertas que mudaram o rumo da Humanidade ainda estariam para serem descobertas.

Nossos maiores inimigos são os mu’minoon que são, literalmente, o aposto dos kuffar.

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Ateus, outros “não-teístas” e os Escoteiros (Parte I)

Tradução Livre realizada pelo Blog "O Escoteiro Ateu" da brochura Athiests, Other Non-Theists and the Boy Scouts of America da Organização Scouting for All

Scouting_For_AllPara todos os efeitos,  os Escoteiros são uma organização secular. Não é adequado que uma organização secular exclua membros, com base em suas crenças religiosas.

Argumento: Os “não-teístas” (ateus, agnósticos, etc.) odeiam religião e esta é uma tentativa de eliminar Deus do escotismo.

Resposta: Tirar Deus do escotismo não é o objetivo. Ao invés disso queremos convencê-los a encontrar uma maneira de incluir aqueles cujas convicções não os permitem fazer um juramento onde Deus é o objetivo. Não-teístas querem participar do escotismo da mesma maneira que as outras pessoas. Nosso único objetivo é ser capaz de fazer isso sem ter que mentir sobre quem somos.

Em segundo lugar, se aos não-teístas estão muita vezes zangados com a religião, não é porque eles odeiam religiões, mas sim porque eles se opõem aos abusos da religião. De fato, muitos teístas moderados e liberais rejeitam muitas das mesmas coisas que os não-teístas. Eles odeiam quando a religião é usada para promover a intolerância e fanatismo, quando ela é usada como uma ferramenta para opressão política ou a repressão de novas ideias, quando é usada para promover a “autojustiça” e o conceito de moralidade absoluta (a deles é claro)!

Mas acima de tudo, aos não-teístas ficam com raiva quando lhes dizem que não podem ser bons cidadãos, que são moralmente deficientes e são uma má influência para a sociedade.

A maioria dos não-teístas tem uma filosofia de “deixar assim mesmo“. Muitos são membros de uma Igreja Unitária¹. Outros acompanham os familiares religiosos na igreja. Para muitos não-teístas, a igreja é um lugar para encontrar conforto, meditação e espiritualidade.

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JE SUIS CHARLIE!!!

Por Ricardo Machado

No dia 11/01/2015, 4 milhões tomaram as ruas de Paris e promoveram uma marcha histórica contra o terrorismo após os atentados contra a sede da revista “Charlie Hebdo” onde, no total, 17 pessoas morreram, entre elas cinco dos mais importantes cartunistas da atualidade.

O presidente François Hollande e outros líderes mundiais, além de seu antecessor, Nicolas Sarkozy, caminharam por cerca de 200 metros em um trajeto paralelo ao principal da marcha. Eles fizeram um minuto de silêncio.

Ao lado do presidente, participaram a chanceler alemã, Angela Merkel; os chefes de governo italiano, Matteo Renzi; espanhol, Mariano Rajoy; e britânico, David Cameron. O ex-presidente francês, Nicolas Sarkozy, foi recebido pelo atual chefe de Estado.

O chanceler russo, Serguei Lavrov; e os primeiros-ministros israelense, Benjamin Netanyahu; e turco, Ahmed Davutoglu; e o presidente da Autoridade Palestina, Mahmmud Abbas, também participaram, entre outros.

Em algum lugar no Facebook, tive a informação que escoteiros judeus, cristãos e muçulmanos, a exemplo dos líderes mundiais, também caminharam, paralelamente à grande marcha, de braços dados e contra o terrorismo.

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500 Curtidas!!!

Boa Tarde Nação Escoteira!!

O Escoteiro Ateu em breve voltará ás suas atividades com novos posts. Antes disso queremos agradecer a todos vocês por suas curtidas ao nosso blog e à nossa Fan Page. O Escotismo não se faz sozinho e o nosso movimento crê neste lema. A luta por um escotismo mais inclusivo não se faz sozinho! Muito obrigado!!

 

Boas Vindas Humanistas para inclusão de não religiosos e ateus no Escotismo na Inglaterra

Por Associação Humanista Britânica
07 outubro de 2013

A Associação Escoteira do Reino Unido anunciou uma nova promessa alternativa que permitirá pela primeira vez aos jovens e adultos que não acreditam em qualquer deus ou religião aderir ao movimento. A Associação Humanista Britânica (BHA), que há muito defende essa mudança e que trabalhou com a Associação de Escoteiros na formulação da nova promessa, recebeu bem o anúncio.

Em vez de prometer a “amar a Deus”, os “Castores” terão a opção de prometer a amar “nosso mundo” e ao invés de prometer a “cumprir os meus deveres para com Deus “, Escoteiros, Pioneiros e Adultos terão a opção de prometer “defender os nossos valores escoteiros”. A nova promessa entrou em vigor em 1 de Janeiro de 2014.

Os Escoteiros e Guias foram as últimas grandes organizações não religiosas voluntárias do Reino Unido a discriminar por razões religiosas e o fim disto é um evento memorável.

O Chefe Executivo da Associação Humanista Britânica (BHA) Andrew Copson disse:

O “Escotismo é uma organização de Jovens extremamente importante e em algumas partes do país oferece as únicas atividades que os jovens têm. Ao tomar a decisão corajosa de acolher as pessoas não religiosas e de boa consciência, eles mostraram que realmente desejam ser um movimento aberto a todos. A sua iniciativa é um forte sinal de que a grande maioria dos jovens que não se veem como pertencentes a qualquer religião têm valores que são dignos de respeito e deve ser explicitamente acolhidos e atendidos em qualquer atividade que visa ser genuinamente inclusiva”.

“Os valores humanistas que estão em prática realizados por muitos jovens e adultos não religiosos, atenciosas e éticos têm um efeito transformador a contribuir para qualquer movimento e é o objetivo mais amplo de uma sociedade cooperativa compartilhada e coesa. O Escotismo será reforçado com sua participação”.