Uma Católica Em defesa dos ateus

Por Rachel Lu

Pelo menos eles são honestos ao rejeitar a religião, ao contrário da maioria dos crentes espiritualmente mornos

O mundo precisa respeitar mais o ateísmo. Pode parecer estranho que uma católica diga isto, mas, por favor, leve em consideração o que eu vou dizer.

Eu conheço um monte de ateus. No mundo acadêmico, uma fartura. Muitos deles estão convencidos de que o mundo os odeia. O cristianismo pode não estar no auge da sua popularidade hoje em dia, mas o ateísmo também não está.

Se você quer um bom emprego, declarar-se abertamente ateu pode não ser uma boa ideia. Você pode, no máximo, se dizer “não religioso”. Mesmo os liberais, apesar do seu desconforto com areligião levada a sério, parecem considerar moralmente positivo frequentar uma igreja, tanto que um recente estudo norte-americano mostrou que os autoproclamados liberais, nos Estados Unidos, são especialmente propensos a exagerar o próprio nível de observância religiosa quando estão em ambientes sociais.

Os jornalistas liberais, às vezes, tentam usar casos como este para mostrar que a nossa sociedade é predominantemente pró-religião(e, de passagem, para dar a entender que boa parte das queixas de violações da liberdade religiosa são pura paranoia e busca de atenção). Na verdade, porém, não há muitas razões para que a sociedade se sinta “ameaçada” nem por ateus declarados nem porcrentes religiosos, já que o que realmente está espalhado hoje pela sociedade é o triunfo da mornidão.

A religião, para muitos ocidentais, serve hoje como um mero “verniz”. Ela não exerce nenhuma influência séria na sua vida, nem lhes indica como viver adequadamente; ela apenas ressalta um pouco de espírito cívico e de boa vontade genérica para com os homens. Se você quer ser uma figura pública popular, é útil ser nominalmente filiado a alguma igreja, mas sem a levar muito a sério. Como alternativa, você pode também professar uma fé formalmente séria, mas ignorar os seus ensinamentos toda vez que eles entrarem em conflito com os pontos de vista políticos e sociais que estiverem de moda no momento.

É neste panorama morno que os ateus proclamam abertamente que Deus não existe.

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10 mitos — e 10 verdades — sobre o Ateísmo

Por Sam Harris

Várias pesquisas indicam que o termo “ateísmo” tornou-se tão estigmatizado nos EUA que ser ateu virou um total impedimento para uma carreira política (de um jeito que sendo negro, muçulmano ou homossexual não é). De acordo com uma pesquisa recente da revista Newsweek, apenas 37% dos americanos votariam num ateu qualificado para o cargo de presidente.

Ateus geralmente são tidos como intolerantes, imorais, deprimidos, cegos para a beleza da natureza e dogmaticamente fechados para a evidência do sobrenatural.

Até mesmo John Locke, um dos maiores patricarcas do Iluminismo, acreditava que o ateísmo “não deveria ser tolerado”porque, ele disse, “as promessas, os pactos e os juramentos, que são os vínculos da sociedade humana, para um ateu não podem ter segurança ou santidade.”

Isso foi a mais de 300 anos. Mas nos Estados Unidos hoje, pouca coisa parece ter mudado. Impressionantes 87% da população americana alegam “nunca duvidar” da existência de Deus; menos de 10% se identificam como ateus — e suas reputações parecem estar deteriorando.

Tendo em vista que sabemos que os ateus figuram entre as pessoas mais inteligentes e cientificamente alfabetizadas em qualquer sociedade, é importante derrubarmos os mitos que os impedem de participar mais ativamente do nosso discurso nacional.

1) Ateus acreditam que a vida não tem sentido.

Pelo contrário: são os religiosos que se preocupam frequentemente com a falta de sentido na vida e imaginam que ela só pode ser redimida pela promessa da felicidade eterna além da vida. Ateus tendem a ser bastante seguros quanto ao valor da vida. A vida é imbuída de sentido ao ser vivida de modo real e completo. Nossas relações com aqueles que amamos têm sentido agora; não precisam durar para sempre para tê-lo. Ateus tendem a achar que este medo da insignificância é… bem… insignificante.

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Essa temida tradição escoteira.

Por  Blog Café Mateiro em 11/12/2012

Seria uma omissão, por parte desse blog, não colocar em pauta este viral assunto que tem tomado conta da internet escoteira: as modernizações, tradições e atualizações no movimento escoteiro. Se permitem uma de muitas visões, começo com um pequeno relato. Longe de chamá-lo, o leitor, à desobediência civil, ou empurrá-lo para a oposição ou situação, convido-o, isso sim, a compartilhar também seu pensamento.

Nas eleições deste ano (2012), votei no colégio municipal onde estudei quando criança. Permiti-me passear pelo bairro onde cresci. Pitoresca a imagem de crianças empinando pipa, jogando bola na rua e trocando figurinhas na calçada. Até porque é um bairro de periferia e sabe-se que não são todos os que têm um computador ou um videogame como opções de ócio. O escotismo aqui, lembremos, é de inclusão, ou seja, contempla os do “Playstation” e os da “pipa”.

Se a questão da tradição escoteira girasse ao redor da substituição de uma bússola por um GPS, ou de um Atari por um Wii, ou de uma pipa por um aeromodelo, quão fácil ficaria o diálogo neste ou em qualquer outro blog. Bastaria estar por dentro das novas tecnologias e pronto. Mas não se trata somente disso.

Um dos manuais produzidos pela associação. Esta capa pertence a um livro publicado em 1993 pela Editora Escoteira. Seu conteúdo, a exemplo dos guias atuais, toma emprestados os textos de Floriano de Paula e Benjamin Sodré.

Um dos manuais produzidos pela associação. Esta capa pertence a um livro publicado em 1993 pela Editora Escoteira. Seu conteúdo, a exemplo dos guias atuais, toma emprestados os textos de Floriano de Paula e Benjamin Sodré.

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Líder Escoteiro Ateu fala sobre as recentes mudanças na promessa dos Escoteiros e Guias.

Por Ralph Parlour

O Líder Escoteiro(Escotista) e ateu Ralph Parlour apresenta o seu ponto de vista sobre as recentes mudanças realizadas pela Associação de Escoteiros e Girlguiding UK.

Escoteiros fazem a promessa na Ilha Brownsea em Dorset. Foto: Tim Ellis.

Escoteiros fazem a promessa na Ilha Brownsea em Dorset. Foto: Tim Ellis.

No dia 1 de setembro de 2013 e 1 de Janeiro de 2014, as Guias e a Associação de Escoteiros da Grã-Bretanha respectivamente mudaram suas promessas, abrindo ambos os movimentos para ateus e humanistas.

A promessa é um aspecto central e muito importante em ambos os movimentos e todos os que desejam tornar-se membros devem fazê-la.  As mudanças realizadas são radicais, dadas as origens religiosas de ambos os movimentos. Antes dessas mudanças, todas as Guias, independentemente de suas crenças (ou a falta delas) tinham que prometer “amar a Deus”, e os Escoteiros tinham na promessa de “cumprir meus deveres para com Deus“. Ainda mais importante, a Associação de Escoteiros proibiu que ateus se tornassem Líderes (Escotistas). Embora essa proibição não tenha sido aplicada ao pé da letra e o fato de que muitos ateus como eu já eram líderes, é um alívio não ter que esconder a minha (não) crença, ou ter que “cruzar os dedos” ao fazer a promessa.

Agora ao invés de dizer “amar a Deus” toda Guia promete: “ser fiel a mim mesma” e “desenvolver minhas crenças”. Os escoteiros, no entanto tem uma abordagem alternativa e ao invés de se desfazer completamente da promessa religiosa eles introduziram uma nova promessa que os ateus podem optar em usar em seu lugar. “cumprir meus deveres para com Deus” na promessa alternativa foi substituído por “Para defender os nossos valores escoteiros”. No entanto, a promessa religiosa continuará a ser o padrão fazendo com que a maioria dos novos membros continue com ela, enquanto os ateus podem solicitar a alternativa secular.

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O Escoteiro Ateu Adiciona Página de Perguntas Frequentes

Nota

O Escoteiro Ateu com seu propósito de “Incluir” todos em nosso debate criou sua página de Perguntas Frequentes para esclarecer as principais dúvidas daqueles que buscam informação em nosso blog ou simplesmente desejam  saber o que queremos.

O projeto O Escoteiro Ateu estará sempre aberto a debates e aberto a incluir a opinião de todas que queiram que o Movimento Escoteiro Brasileiro Cresça Livre e Justo.

 

Sempre Alerta Para Servir!

Ateus e pagãos, vítimas do mesmo preconceito, precisam se unir.

Por Robson Fernando de Souza

Observando-se as ladainhas preconceituosas que culpam a “falta de Deus” pelas desgraças que acontecem no mundo, concluímos que não dá para ignorar que os ateus não são os únicos atingidos por tais discursos credocêntricos que arrogam às religiões monoteístas o monopólio da moralidade. Eles não são os únicos que não acreditam no deus único dos preconceituosos que não aceitam a existência de ética fora da(s) religião(ões) de deus único. Há mais pessoas vítimas desse tipo de declaração intolerante: os pagãos, ao mesmo tempo irmãos de descrença monoteísta dos ateus e portadores de um sistema de crenças peculiar.

Ao falar de paganismo e pagãos, me refiro aqui respectivamente a qualquer religião não abraâmica que tenha raízes nas tradições politeístas da Antiguidade e da Alta Idade Média – incluindo-se também o hinduísmo, o xintoísmo e religiões ameríndias e africanas nativas – e aos seus aderentes. Geralmente a máxima “O nosso Deus é o mesmo”, dita por religiosos monoteístas, não se aplica a eles, dadas as fortes diferenças entre as divindades pagãs e os deuses únicos como o bíblico e o corânico.

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Ateismo, liberdade e educação (e Escotismo) – Parte 4

Por Claude Pasteur Faria

Os ateus são na grande maioria pessoas decentes, honestas, humanistas, esclarecidas e amantes da verdade. São do tipo de gente que empurra o conhecimento e a ciência sempre adiante, contra as forças do obscurantismo. Possuem o direito de não querer acreditar em fantasmas, duendes, espíritos, fadas, gnomos e deuses, mesmo se existirem. Querem viver suas vidas em paz, com liberdade, dignidade e respeito, sem sofrer discriminações odiosas por parte dos que se consideram titulares de conhecimentos metafísicos divinos e de verdades absolutas.

O Estado, da mesma forma que não intervém na liberdade de crença, deve garantir àqueles que assim desejam o direito e a liberdade de não crer, o que implica garantir uma educação pública laica e de qualidade e não empregar recursos públicos em escolas particulares de caráter nitidamente confessional.

As religiões organizadas, infelizmente, estão submetendo o Estado brasileiro ao seu controle. A crescente influência religiosa no Congresso Nacional e nas casas legislativas estaduais e municipais só faz aumentar. As consequências dessa tomada de poder afiguram-se tanto mais graves porquanto essas bancadas da fé pretendem impor suas crenças e visões de mundo a todas as pessoas indistintamente, e não somente aos seus acólitos.

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Discriminação Religiosa. Temos que acabar com isso.

Por Roberto Carlos Fochi

Ao longo da historia nos deparamos com muitos casos de intolerância religiosa, principalmente nas regiões onde a religião possuía uma posição de poder. Na idade média os Judeus foram perseguidos e descriminados pela doutrina da Igreja Católica da época, a qual dizia que os Judeus eram coletivamente e permanente responsáveis pela morte de Jesus Cristo. Também podemos lembrar o Holocausto, onde cerca 6 milhões de Judeus foram assassinados, no século passado.

Na atualidade, ainda há muitas perseguições religiosas pelo mundo, principalmente em países como o Iraque, a China, o Paquistão e a Arabia Saudita. No Brasil, as coisas são diferentes, a Constituição Federal de 1988, define o Brasil como um país laico assegurando, também, o livre exercício dos cultos religiosos e a proteção dos locais de culto. Além disso a Lei 7.716 de 1989, considera crime a pratica de descriminação religiosa.

Entretanto, a discriminação continua muito intensa, religiões agem como se fossem adversárias. Os cultos Afro-brasileiros, por se aproximarem do folclore são vistos como bruxarias, a Maçonaria, por possuir cultos secretos, é relacionada com o diabo, Evangélicos também sofrem com deboches por suas crenças. Mas os ateus são os que mais sofrem com isso, pelo fato de não acreditarem em seres sobrenaturais, são visto por diversos integrantes de todas as religiões como criminosos ou pessoas que só fazem mal aos outros.

Grande parte da pessoas que sofrem com a discriminação religiosa também as comete, de forma a tentar aliviar o preconceito sofrido, poucos entendem que esse ato só agrava esse problema. Infelizmente os casos de condenação por discriminação religiosa são escassos, já está mais que na hora da justiça parar de fazer vistas grossa para este tipo de preconceito.

Fonte: Jusbrasil

O Ateu, a UEB e o Armário

Por Ricardo Machado

Em 2009, os “Escoteiros do Brasil” lançaram a temática anual chamada “Escotismo é Inclusão”, que atendia recomendações da Conferência Mundial do Movimento Escoteiro do ano de 1988 sobre a prática do Escotismo para portadores de necessidades especiais de qualquer tipo.

O documento exortava as associações escoteiras a rever seus programas com o intuito de satisfazer as necessidades de todos os jovens, independente das necessidades que viessem a possuir, a fim de incluí-los nos grupos escoteiros.

O resultado disto é que tivemos um ano com grandes atividades escoteiras onde os jovens eram encorajados a “sentir na pele” como é ser um portador de necessidades especiais, os levando a entender as dificuldades e as superações que estas pessoas vivem no dia-a-dia.

Aqui devo abrir um parêntese para falar sobre outra instituição da qual faço parte e que por um longo tempo segregou portadores de necessidades especiais e ateus: a Maçonaria.

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Ateismo, liberdade e educação (e Escotismo) – Parte 3

Por Claude Pasteur Faria

Por falar em ética, se dependesse dos ateus os povos indígenas estariam até hoje cultuando em paz seus deuses, livres dos missionários cristãos que os infernizaram e liquidaram com suas tradições, e que ainda o fazem sob o beneplácito do Estado.

As taxas de homicídio são mais baixas em países mais secularizados e irreligiosos, como Japão, Dinamarca e Suécia; em países de maioria cristã, por exemplo, Brasil e Estados Unidos, além dessas taxas serem muito mais elevadas, uma parcela relativamente maior da população está cumprindo pena. Mesmo dentro de um país há diferenças regionais entre os índices de criminalidade, segundo a religiosidade das pessoas, como demonstram pesquisas feitas nos Estados Unidos. Os estados da Louisianna e do Mississipi, com maiores índices de fé religiosa e comparecimento às igrejas, apresentam taxas de criminalidade mais elevadas que estados menos religiosos como Vermont e Oregon. No Brasil não se conhecem estatísticas sobre o assunto.

A Dinamarca, considerado o país mais irreligioso do mundo, ostenta a população mais feliz. Ao contrário, quem vive em países dominados por teocracias, como Afeganistão, Irã e Arábia Saudita, não desfruta do mesmo grau de felicidade ou de liberdade. Pesados são os grilhões da fé.

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